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4 Lições de escrita de “Clube da Luta” aplicáveis em qualquer conteúdo

Outro dia eu estava lendo o livro “Transformando palavras em dinheiro — 42 lições que ninguém ensina sobre copywriting e marketing digital”, do Ícaro de Carvalho. Em uma das lições, se não me engano a lição 6, ele encoraja os leitores, com todas as letras, a copiarem a escrita de Chuck Palahniuk, autor de “O Clube da Luta”.

Segundo ele, a escrita visceral utilizada na obra é uma ótima referência para os redatores publicitários que desejam melhorar as suas habilidades de comunicação.

Depois da recomendação do Ícaro, peguei o livro para ler. Na verdade, eu já tinha assistido ao filme há alguns anos e não me lembrava de ter sido algo tão marcante. Por outro lado, dificilmente vou me esquecer da leitura.  

Preferências literárias à parte, se você trabalha com produção de conteúdo assim como eu, saiba que existem elementos na escrita de Palahniuk que podem ser utilizados em qualquer texto. 

E mais, são recursos capazes de tornar os seus conteúdos mais agradáveis, visuais e impactantes — ao estilo Clube da Luta. Veja: 

1. Figuras de linguagem 

Enquanto lia o Clube da Luta, não demorou para que eu percebesse a primeira grande característica do livro: ele é muito visual. 

Aqui não estou dizendo que a obra é ilustrada nem nada do tipo, mas sim que os recursos de escrita que Chuck Pallaniuk usa de fato transportam o leitor pro meio da história. Se você fechar os olhos, sente até o cheiro de suor e sangue que invadem o porão de um dos bares onde acontecem as reuniões do Clube da L… 

Opa, quase quebrei a primeira regra.

Para aproximar o leitor da história a ponto de sentir-se parte dela, o autor faz bastante uso das figuras de linguagem. A comparação, a metáfora e a metonímia foram os tipos que mais consegui identificar. 

Separei alguns trechos:

“(…) vidro se estilhaça e espirra como uma revoada de pombos

Queime o Louvre – o mecânico diz – e limpe a bunda com a Mona Lisa

“Bob me amassou como uma panqueca

Percebe como as figuras de linguagem evocam as imagens que o autor quer que os leitores imaginem ao ler determinado trecho? 

Quando Chuck diz, especificamente, que o vidro estilhaçado se assemelha a uma revoada de pombos, ele quer que você imagine uma explosão dramática, cinematográfica, de cacos de vidro. 

Ao dizer que fulano foi amassado como uma panqueca, ele quer que você se lembre da sensação sufocante do último natal, quando aquela sua tia te apertou tanto que o perfume adocicado que ela usava na ocasião ficou impregnado em sua roupa por semanas. 

2. Comparações inusitadas

Pegando o gancho do tópico anterior, não são só as figuras de linguagem que chamam a atenção no Clube da Luta, como também as comparações inusitadas que o autor faz.

Por exemplo, se falo que alguém é “mais perfumada que uma rosa”, você não vai achar isso inusitado. Talvez na próxima linha já tenha esquecido dessa comparação. Afinal, associar perfumes e flores é algo que acontece com frequência. 

Mas as comparações que Palahniuk faz no livro são tão inusitadas que você para,lê de novo e esboça um sorriso que diz “rá, essa foi boa!”. 

Veja algumas dessas associações inusitadas que encontrei no livro:

“(…) pessoas calmas como vacas hindus

“Bob, o fofão, o grande pão de queijo (…)”

“(…) uma mancha felpuda de pessoas paradas e olhando para cima”

Essas quebras de padrão, como usar mancha felpuda para se referir a um agrupamento de pessoas, trazem uma dose de irreverência e tornam a obra autêntica. Original.

3. Palavras simples

Outro ponto que acho importante destacar é que no decorrer de toda a obra o autor faz uso de palavras simples, do dia a dia da maioria das pessoas. Isso torna a obra democrática e mantém o leitor atento, imerso na história, pois ele não fica perdido tentando decifrar o que o autor quis dizer.

Existem várias formas de se referir à morte, por exemplo. Inúmeros. Chuck Palahniuk faz isso da seguinte forma “(…) um dia você está pensando e andando por aí, e no outro virou um fertilizante frio e comida de minhoca”. 

Separei mais alguns exemplos:

“Às vezes você faz algo e se ferra. E às vezes as coisas que não faz é que ferram você

“Ah, que doce, a lembrança do corpo quente de Chloe em meus braços”

“Ela prende a respiração, a barriga parece um tambor e o coração parece a baqueta batendo e esticando a pele do tambor de dentro para fora”

Anote essa dica: sempre que possível, dê preferência às palavras mais simples que conseguir. 

E por simples quero dizer as que fazem parte do dia a dia, da linguagem falada. 

Isso ajuda o texto parecer mais um bate papo de igual para igual e menos uma palestra chata que dá vontade de abandonar pela metade.  

4. Frases de efeito 

Todo mundo gosta de uma boa frase de efeito. Tanto é que as melhores e mais marcantes são eternizadas na pele de muita gente.

Consegue imaginar quantas vezes “O essencial é invisível aos olhos”, do Pequeno Príncipe, virou tatuagem?

No Clube da Luta existem várias frases de efeito dignas de serem tatuadas também — na verdade, eu ia dizer “frases dignas de virarem status do MSN”, mas se você não estiver pelo menos beirando os 30 anos, não vai entender essa referência.

Separei algumas delas:

“Nada é estático. Até a Mona Lisa está caindo aos pedaços.”

“(…) talvez tenhamos que quebrar tudo para construir algo melhor em nós mesmos.”

“Esta é a sua vida e ela está acabando, um minuto por vez.”

Essa talvez seja a lição de escrita menos aplicável no mundo real. Afinal, nem sempre é possível incluir frases de efeito em conteúdos que fazem parte de uma estratégia de marketing. No entanto, se você enxergar essa brecha, por que não?

E aí, gostou dessas 4 formas de tornar o seu conteúdo mais acessível, visual e atraente? Agora, tenho duas coisas para pedir: acompanhe @https://redator.digital no Instagram e conte pra mim se você já leu Clube da Luta (se sim, o que achou).

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